14 de abril de 2010

6:41

"Deus se você existe, o que duvido muito! Dê-me a minha ultima musica."...
Nasci em 23 de agosto de 1945, o mundo estava em guerra, mais minha chegada mudou isto... Minha mãe diz que minha primeira palavra foi: Deus.
Com 3 anos eu já andava, brincava, corria e alem de tudo ouvia muita musica.

Em dezembro de 1950 meu pai foi comprar cigarros, mais nunca mais voltou, minha mãe diz que ele foi sequestrado, mais todos sabemos, ele fugiu com uma rapariga mais jovem e vagabunda.
Nosso natal foi magro, estávamos todos esperando a volta de nosso pai, mais nada dele aparecer.
Depois de muito tempo esperando minha mãe aceitou que ele não voltaria. Bem, azar o dela desistiu de quem a sustentava.
Minha adolescência foi marcada por brigas com os filhos de putas que moravam na rua de trás. Estavam sempre me incomodando por eu sempre estar cantando e andando sozinho.

Os anos 60 foram demais, o nascimento de uma nova geração, assisti de perto o surgimento de pessoas imortais, entre eles um quarteto de Liverpool...
Usei muita droga, comi pela primeira vez na minha vida uma garota, e eu fui demais, mandei ver!
Em 69 eu estava a caminho de um festival de musica em NY, mais meu avião acabou se acidentando na Amazônia. Ficamos lá por 2 semanas até que nos achassem. Nesse período conheci uma índia pela qual pensei estar apaixonado, mais logo descobrir que era só excitação por estar 'num' lugar estranho com mulheres primatas de instinto selvagens. Depois disso percebi o quanto odeio índios, esse povo supersticiosos, preguiçoso e idiota.

Já nos anos 70 eu me revoltei contra toda essa porra. Essa moralidade hipócrita, toda a sujeira que esses viados governantes estavam fazendo-nos comer. Lembro que a merda tinha um gosto ruim.
Fui torturado, junto com um tal de Caetano fui exilado de meu país, esse país de índios, futebol, carnaval, putas e injustiça política...
Voltamos escondendo-nos em casas de amigo de amigos, não queriamos ser pegos, mais não queríamos deixar aqueles desgraçados no poder.

Ah esqueci-me de falar, aquela minha primeira palavra, agora já não significava nada para mim.
 Deus, hã, é apenas mais um nome para o medo que as pessoas têm de estarem realmente sozinhas.
Igrejas alienando pessoas, catástrofes, barbaridades, o mal, o inevitável mal... Isso as pessoas não podem combater, e por isso se apegam tanto a uma figura paterna que sempre ira a proteger, e lhe dará um lugar melhor do que esse em que vivemos.
Apesar de que, qualquer lugar é melhor que aqui.

Bem, onde estava? Ah, lembrei!

Anos 80 nada foi pior do que nos anos 80 já não tinham como alguém se manter são com tanta hipocrisia, eram bonecas putas, dançarinas adolescentes que se esfregavam em palcos de programas de televisão.
Mais no final desses anos duros de aguentar, como uma agulha pronta para entrar em minha veia, apareceu uma cara, como seus gritos roucos, e versos com verdades roubadas ele estavam no auge, mais num momento  de desespero quis não mais exalar o espírito adolescente.

Os anos 90 começaram com tudo, jovens de cara pintadas, protestos, o povo na rua, a policia tentando colocar ordem... Foi lindo e poético, lembro-me de um rapaz que sangrando ao meu lado me disse: "Essa merda dessa policia, está tentando colocar ordem em quem quer a ordem nessa porra de país". Anos 90 também tinham adolescentes nervosos, gritando e com calças rasgadas, me lembrando os anos 70, punks, e toda aquela sujeira bonita.
Quando completei 55 anos de vida, tentei não chorar ao ver que estava sozinho, as pessoas me abandonaram ao longo do percurso, a tristeza e a felicidade já não faziam parte de mim. Não havia nenhum tipo de emoção dentro de mim...

 Vi um senhor outro dia num bar. Fiquei o encarando, olhei-o nos olhos, vi, reconheci, era meu pai, com semblante cansado. Passei por sua mesa e não disse uma palavra, percebi que ele me reconheceu, mais não dei a mínima, o velho desgraçado nos abandonou. Ele não tinha forças para vir atrás de mim! Então apertei o passo.

Ah, hoje acordei com fome, procurei no cesto comida, parece que já havia passado outro ser faminto por ali. Sentado numa praça vi quando um taxista mal encarado deixou cair algumas moedas na rua, corri para pegar, corri, corri sem me preocupar, e aqui estou eu: Debaixo de um ônibus, contando minha estória para ninguém e esperando que escutem, esperando que saibam quem fui eu.

Assisti durante minha vida a desevolução da humanidade. Pessoas ficam mais burras, vulgares, hipócritas, egoístas... O mundo está cada vez mais sujo de pessoas.

 É, acho que chegou minha vez de descobrir a verdade infinitamente muda!



 -afasta!

 -afasta!

 -afasta!



- Esse ai já era véi.
- É vai ser foda achar um conhecido desse mendigo fedorento.
- Oh, alguém ai conhece esse indigente?
- Eu!
- Ele é meu filho. 




"Já não sinto o gosto da maldade também!"

                                                                                                    Cidadão Quem!?

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